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Treinamento Funcional – Método ou Loucura? – Parte 2

Por Marcus Lima em 13 de abril de 2014

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Treinamento Funcional – Método ou Loucura? – Parte 2

Continuando com o artigo, traduzido pela Treinadora Lara Félix, onde o autor faz suas considerações a respeito do que ele pensa sobre toda essa “onda” de Treinamento Funcional.

Aos que não leram a primeira parte aí está o link: Treinamento Funcional – Método ou Loucura? – Parte 1

Boa leitura!

 

Treinamento Funcional – Método ou Loucura? – Parte 2

Vern Gambetta

 

Eu nunca fui relutante em desafiar a sabedoria convencional, sendo que era a própria sabedoria tradicional que estava nos causando estagnação no treinamento. Simplesmente não estava fazendo seu trabalho. Eu sentia que deveria haver mais do que o VO2 máximo e outras medidas artificiais de performance, mais do que somente correr para frente sem pensar, mais do que a ênfase excessiva em levantar muito peso, mais do que máquinas sofisticadas que isolavam as partes do corpo e mais do que o alongamento estático.

Aprendi muito com o trabalho de Logan e McKinney e o seu clássico texto Cinesiologia (N.T: Kinesiology – Logan e McKinney), Knott e Voss em seu trabalho de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (N.T: Proprioceptive Neuromuscular Facilitation: Patterns and Techniques) e John Jesse e sua abordagem sobre treinamento para performance e prevenção de lesões (N.T: Hidden Causes of Injury: Prevention and Correction for Running Athletes – John Jesse). Era um afastamento da visão linear, reducionista e segmentada do corpo para uma ideia holística e sinérgica. O que evoluiu como treinamento funcional encontra os velhos conceitos e métodos que já foram a norma, mas que caíram em desuso por vários motivos.

O ditado que diz que tudo o que é velho pode se tornar novo não poderia ser mais verdadeiro.

Infelizmente, a maneira como o conceito de treinamento funcional foi evoluindo, cooptado pela indústria do fitness, foi degradando o mesmo e comprometendo-o com uma estranha mistura de exercícios malucos com nenhuma justificativa nem progressão lógica.

É mais do que exercícios; é uma abordagem sistemática de treinamento, sequencial e progressiva, para os rigores da competição. Não há mágica nem mistério, somente a aplicação de princípios básicos que são provados a sobreviveram ao longo do tempo. É mais do que um monte de exercícios diferentes colocados juntos; é a variedade de exercícios mas que fazem sentido.

A chave para o treinamento funcional de sucesso é a progressão.

Você deve cuidadosamente avaliar onde você está no presente momento e desenhar uma progressão passo-a-passo para atingir objetivos realistas específicos. Saiba onde você esteve e onde você está indo. E preencha a lacuna com uma progressão funcional lógica que só vai andar para frente quando o passo anterior tiver sido dominado.

No mundo “hi-tech” de hoje, acabamos esquecendo o básico às vezes. Quanto mais longe do corpo, menos funcional nós nos tornamos. O corpo humano é um organismo perfeitamente afinado que se sobrepõe às melhores máquinas já criadas. É a grande e definitiva máquina “hi-tech”. Apesar de toda a sua complexidade, o corpo é incrivelmente simples.

Para tirar vantagem da sabedoria do corpo, devemos focar em como ele funciona na verdade.

Nós precisamos entender os movimentos no esporte para poder entender o treinamento funcional para esportes. Um entendimento mais profundo sobre a função, permitirá o planejamento e implementação de programas de treinamento “compreensivos” a cada esporte e a cada atleta.

O corpo é um sistema interligado, sistema esse conhecido como cadeia cinética. O treinamento funcional é a união – é como as partes dessa cadeia trabalham juntas, em harmonia, para produzir padrões de movimento eficientes. A ciência acadêmica tradicional ainda foca no estudo individual de músculos baseado na anatomia clássica. É aí que começa a confusão no que diz respeito ao conceito de movimento funcional.

Devemos lembrar que não funcionamos na posição anatômica. A posição anatômica é estática; ela nos proporciona uma perspectiva conveniente de organização dos músculos para facilitar o estudo e a observação. Para entender de verdade o treinamento funcional, devemos nos afastar do foco no músculo e focar no movimento. É importante enfatizar que o cérebro não reconhece os músculos individualmente. Ele reconhece padrões de movimento, que consistem em músculos trabalhando juntos para produzir os movimentos requisitados pelo esporte.

Para entender completamente a função, devemos entender o papel que a gravidade exerce no movimento.

O fato de que nós vivemos, trabalhamos e jogamos em um ambiente enriquecido pela gravidade não pode ser negado. A gravidade exerce efeito mínimo sobre o corpo na posição anatômica e máximo em um corpo em movimento. Nós simplesmente não podemos ignorar a gravidade, ela é essencial ao movimento e proporciona carga ao sistema. Por isso, devemos aprender a superar, iludir e até mesmo acabar com seus efeitos. O excesso de confiança nas máquinas para o treinamento, nos dá uma falsa sensação de segurança porque elas negam algumas das ações da gravidade. A gravidade e seus efeitos devem ser as considerações iniciais ao planejar e implementar um programa de treinamento funcional para preparar o corpo para as forças externas que ele deve superar.

 

Acesse a parte final do artigo: Treinamento Funcional – Método ou Loucura? – Parte 3.

3 Comentários

  • Avatar Marcus Lima disse:

    Especialmente interessante a afirmação: “Infelizmente, a maneira como o conceito de treinamento funcional foi evoluindo, cooptado pela indústria do fitness, foi degradando o mesmo e comprometendo-o com uma estranha mistura de exercícios malucos com nenhuma justificativa nem progressão lógica.”
    Justamente o que pensamos não é Marcelo Morganti Sant’Anna, Alexandre Ortiz Xandão e Eduardo Saraiva?

  • Exatamente, chamou minha atenção também. Mas outra frase (que achava que era do Coach Boyle) achei legal: “Para entender de verdade o treinamento funcional, devemos nos afastar do foco no músculo e focar no movimento. É importante enfatizar que o cérebro não reconhece os músculos individualmente. Ele reconhece padrões de movimento, que consistem em músculos trabalhando juntos para produzir os movimentos requisitados pelo esporte.”

  • marcelo marcelo disse:

    Bem por aí Marcus! O trecho do texto “No mundo “hi-tech” de hoje, acabamos esquecendo o básico às vezes. Quanto mais longe do corpo, menos funcional nós nos tornamos. O corpo humano é um organismo perfeitamente afinado que se sobrepõe às melhores máquinas já criadas. É a grande e definitiva máquina “hi-tech…” demonstra bem a necessidade de resgatarmos no treinamento físico a funcionalidade integrada do corpo humano. O mercado fitness e das grandes empresas de equipamentos nos tirou a atenção do entendimento da funcionalidade do corpo para a “corrida” na construção do mais/maior/melhor eficiente equipamento. Está na hora de retomarmos o que de verdade é o mais importante… o entendimento da biomecânica do corpo humano.

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