Treinamento Físico Funcional – Parte 2 - Instituto Fortius

Treinamento Físico Funcional – Parte 2

Marcus Lima

19 março 2014

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Treinamento Físico Funcional – Parte 2

Continuando com o artigo falando em termos gerais do meu entendimento do que o tema significa para mim, para aqueles que não leram a primeira parte aí vai o link: Treinamento Físico Funcional – Parte 1.

Boa leitura aos amigos.

 

Treinamento Físico Funcional – Afinal, o que é isto? (“ou, Lá vamos nós de novo….”) – Parte 2

Marcus V.R. Lima

 

Gray Cook e o FMS:

Uma grande contribuição aos que trabalham com treinamento físico e áreas afins, foi dada pelo fisioterapeuta Gray Cook e pelo treinador Lee Burton na metade dos anos 90. Naquela época, eles procuravam uma ferramenta que pudesse fornecer critérios objetivos ao se analisarem a qualidade de padrões de movimento (algo que por natureza é um tanto subjetivo) e que pudesse servir de meio de comunicação entre as diferentes áreas que lidam com movimento humano: personal trainers, treinadores desportivos, fisioterapeutas, médicos, quiropraxistas e a lista continua….

Daí nasceu o FMS – Functional Movement Screen (que poderia ser traduzido como Análise Funcional do Movimento ou Análise de Movimentos Funcionais, tenho visto das duas formas), que consiste de 7 testes com a finalidade de identificar assimetrias e limitações em padrões de movimento funcionais.

Muitos profissionais (eu incluso) crêem que estes são fatores que contribuem para o surgimento de lesões musculoesqueléticas, e mais importante: Este é um fator em que podemos atuar, diferente de outros fatores envolvidos no surgimento de lesões dos quais não temos controle, como uma lesão prévia por exemplo, não podemos fazer nada a respeito do que já ocorreu, certo? Ao menos não enquanto não for inventada uma máquina do tempo que nos permita evitar essa lesão.

Carro do filme De Volta para o Futuro

Quem cresceu nos anos 80 com certeza conhece essa máquina…

Os testes continuam os mesmos desde a criação da ferramenta, mas a interpretação dos dados vem sendo constantemente aprimorada e levada a novos níveis, sempre com o objetivo inicial de achar o elo fraco na cadeia de movimentos, discernir se é um problema de mobilidade ou estabilidade, traçar uma estratégia para corrigir o que for necessário e possível corrigir, para que assim possamos diminuir o risco de lesões em quem quer que treinemos.

Visão geral dos 7 testes do Functional Movement Screen - FMS

Os 7 testes do FMS

É fundamental sermos capazes de identificar as limitações, fraquezas e desequilíbrios das pessoas que treinamos e tentar fazer com que adquiram simetria em termos de execução de movimentos (este é um tópico sensível: simetria. Já que existem correntes que defendem o argumento de que não somos simétricos, e que isto seria algo que não deveríamos e nem poderíamos buscar, mas este é outro tópico) e principalmente competência ao executar quaisquer movimentos (Gray Cook escreveu um bom artigo sobre o tema: The Secret)

De prático, o que o FMS nos proporciona é (como já foi dito) um modo objetivo de analisar movimento. Uma ferramenta que nos permite encontrar a maior limitação do movimento naquele momento, sendo que para isto os criadores da ferramenta desenvolveram um modelo para que saibamos o que deveríamos priorizar e a partir daí traçar uma estratégia para resolver o(s) problema(s) com os meios e métodos que o profissional tem a disposição.

A partir disso, acredito que possamos diminuir o risco de lesões musculoesqueléticas (não evitar ou prevenir lesões, pois não acredito que isso seja possível, penso que o termo prevenir lesões seja um tanto não condizente com o que acontece) através da melhora na qualidade dos movimentos, para que em cima de uma base de movimentos sólida possamos adicionar força, potência, resistência e a lista continua…

Um modelo que traduz o que foi dito acima, é o da Pirâmide de Performance, proposto pelo Gray Cook.

A pirâmide da performance ou pirâmide funcional escalona as prioridades dentro do processo de treinamento físico.

A propósito, a palavra “funcional” escrita após “movimento, performance e habilidade” poderia ser tirada fora sem prejuízo do conceito (essa é para aqueles que se aborrecem com essa onda de botar funcional em tudo quanto é coisa, parece que existe até a comida funcional), mas voltando ao que interessa….

O interessante deste modelo é que ele nos dá uma apreciação das necessidades do cliente/aluno/atleta:

A base é feita de padrões fundamentais de movimento (mobilidade/estabilidade) relacionados com tudo o que foi dito em relação à teoria articulação por articulação, relacionados também com o que o FMS se propõe a fazer: Achar o elo fraco na cadeia de movimentos.

LEMBRANDO que este nível da pirâmide deveria estar em ordem a fim de fornecer uma base para o próximo degrau.

O próximo degrau se relaciona à performance, que poderia ser traduzido assim: “Bem, agora que sei que tenho uma base boa de movimento, vamos reforçar isso, vamos fazer força, vamos levantar cargas pesadas; sinal verde para o treino de força, potência, resistência, etc.”

Agora se o degrau anterior não está ok, coisas ruins podem acontecer, estaríamos abrindo a porta para as lesões acontecerem mais cedo ou mais tarde, as vezes muito mais tarde, mas acredito que elas virão. Uma frase dita por Gray Cook, que eu acho muito apropriada, da qual jamais podemos nos esquecer é esta: “Não por força sobre disfunção” sob a pena de agravarmos a situação e piorarmos o problema.

O topo da pirâmide é reservado aos atletas e trata do conjunto específico das habilidades requeridas para a prática de um determinado esporte, são as habilidades técnicas, a especificidade esportiva, a grande maioria dos mortais vive nos degraus de baixo, o topo é reservado aos atletas.

O interessante desse modelo simples, é que ele nos dá uma apreciação do foco que temos de ter com as pessoas que treinamos, se eu tenho um atleta na minha equipe de basquete que tem excelentes movimentos fundamentais, é forte, tremenda explosão muscular, mas não acerta um passe ou erra todos os arremessos, bem, então já sei onde trabalhar, mantenho os níveis de capacidades físicas, a qualidade de movimentos, mas ponho o foco nas habilidades técnicas do basquete.

Tentei colocar aqui algumas concepções, idéias e princípios que refletem o meu pensamento do que significa Treinamento Funcional (ou Treinamento Físico Funcional), lógico que entram muito mais elementos dentro desse contexto, e que muitos outros profissionais expressariam de outra forma.

O que todos poderíamos concordar é que Treinamento Funcional não é uma modalidade (e é dessa forma que estão tentando comercializar a coisa), e sim uma forma de enxergar o treinamento, seria mais como uma visão funcional do treinamento físico seja ele que direcionamento tenha.

É tentar entender cada vez mais de que forma o corpo humano se comporta quando nos movimentamos e entender as complexas conexões e interações das diversas estruturas: ossos, músculos, fáscias, cápsulas articulares….tudo isso sendo mediado pelo sistema nervoso.

A compreensão dessa matéria complexa vem com o tempo e a cada ano que passa somamos mais peças ao quebra cabeça, deveríamos ser capazes de pegar esse entendimento e aplicar aos treinamentos que programamos às pessoas sob nossa tutela, isso para mim é o significado de Treinamento Funcional.

Breve mais conteúdos…

Grande abraço a todos.

 

Algumas (poucas, de inúmeras) Sugestões de bibliografia:

Athletic body in Balance – Gray Cook

Movement – Gray Cook

Advances in Functional Training – Mike Boyle

Functional Training for Sports – Mike Boyle

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