O Taping e suas aplicações

Glória Marquetti

11 fevereiro 2019

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O Taping e suas aplicações

Por Maria da Glória Marquetti e Marcelo Sant’Anna

Certamente você já viu pessoas “desfilando” fitas coloridas em seus corpos nas mais diversas partes do corpo. Mas não se trata de modismo. O taping, ou bandagem elástica, ou fita cinesiológica, ou Kinesio Tape® (seu principal nome comercial) é basicamente uma fita elástica que vem sendo usada, há muito tempo, para o tratamento de lesões e no alívio de dores.

Ela é uma técnica criada no Japão, nos anos 1970, pelo quiropraxista Kenzo Kaze para auxiliar no tratamento de lesões ao exercer pressão e força sobre músculos e articulações, promovendo maior estabilidade.

Entretanto, diferente do que a maioria das pessoas conhece, o taping não é somente utilizado para o tratamento de dores e limitações articulares. É uma ferramenta com muitas possibilidades de uso. Quando utilizado de forma correta podemos tê-lo, por exemplo, como um grande aliado na recuperação de pacientes.

Abaixo, na figura 1, a imagem apresenta uma aplicação de taping em um paciente jovem no pós-operatório imediato de artroscopia de joelho, com objetivo de redução de edema e dor. Clinicamente identificou-se uma recuperação mais rápida com aumento da amplitude de movimento e retorno às suas atividades.

Taping Knee - Instituto Fortius

Figura 1 – Pós-operatório de Artroscopia de joelho – redução de edema e dor

A figura 2 ilustra uma paciente no pós-operatório de lipoaspiração. O taping foi importante em auxiliar na redução de equimoses, redução de edema e dor. Por consequência, a recuperação dessa paciente foi mais tranquila e rápida.

Exemplo de Taping 2 - Instituto Fortius

Figura 2 – Pós-operatório de Lipoaspiração – prevenção de edema, dor, equimoses e fibrose

É importante salientar que o uso do taping na prevenção de edemas parece ser mais efetivo na pele em contato com as bordas da fita do que em relação a sua área central. O estudo piloto de Stefano et al. (2016), por exemplo, após aplicar em 14 pacientes internados em pós-operatório não identificou alterações significativas do edema na pele em contato com a área central da fita.

Figura 3 – A imagem da esquerda é anterior ao uso da fita, e a da direita é após a utilização (24 horas). Observe os retângulos amarelos das figuras esquerda e direita. Na figura da direita, os retângulos estão posicionados na área central que estava com a fita. A partir da análise estatística, não houve diferença na coloração (antes e depois do uso da fita).

Entretanto, quanto à pele em contato com as bordas da fita, o mesmo estudo identificou características bem distintas da coloração da pele após o uso do taping. Esta comparação pode ser vista abaixo na Figura 4.

Figura 4 – A imagem da esquerda é anterior ao uso da fita, e a da direita é após a utilização (24 horas). Observe a imagem da direita. Veja a diferença da coloração da pele em contato com as bordas da fita quando comparada com os retângulos na região central. A partir da análise estatística, agora apresentou diferença na coloração (antes e depois do uso da fita).

Os autores deste estudo sugerem que estas diferenças na coloração do edema podem ser relacionadas à formação de gradiente de pressão entre o taping e a área adjacente.

Sendo assim, para uma boa aplicação do taping, o profissional deve ser bem capacitado e preparado na colocação correta sobre a pele. Conhecer as características das fitas e refletir cientificamente sobre todas as possibilidades que o taping oferece.

Diferente do que muitos imaginam taping não é apenas “colar uma fita no corpo”. Para ter sucesso no resultado, o profissional precisa saber o que está fazendo.

Necessita saber avaliar corretamente o paciente, além de saber como colocar o taping, qual a melhor forma de corte, direcionamento, tensão adequada para cada patologia e identificar o objetivo com essa ferramenta.

E não para por aqui a utilização do taping…

A figura 5 apresenta a imagem de uma paciente que teve uma lesão na academia por uma barra de ferro que caiu sobre sua perna causando uma lesão importante.

Exemplo de Taping - Instituto Fortius

Figura 5 – Pós-lesão traumática da perna – redução de edema, dor e melhora na recuperação

A paciente teve muita dor, edema e equimose por toda a perna. Mas após a aplicação de taping linfático houve melhora nos sintomas e recuperação mais rápida.

O estímulo ao sistema linfático é uma importante ação do taping na recuperação e cicatrização de lesões.

Abaixo, na figura 6, apresenta a imagem de um paciente que sofreu acidente de moto. Sofreu uma lesão de tornozelo com processo inflamatório, dor, edema, e limitação de movimento.

Figura 6 – A) Pós-lesão traumática de moto. B) Após 4 dias utilizando o taping.

Com a aplicação do taping, após 4 dias o paciente já apresentava uma melhora no edema, cicatrização, dor e amplitude de movimento do tornozelo.

Além dos exemplos citados, podemos listar várias outras utilizações do taping já referenciados na literatura: Taping em esporte e lesões ortopédicas, na dança, na estética, em neuropediatria, em fonoaudiologia, em odontologia, em veterinária, em cirurgias gerais, em cirurgias plásticas, em prevenção de fibrose, em cicatrizes, em trans(intra)-operatório, em linfedemas e em dismenorreias.

Fica o convite para a leitura de alguns artigos mais recentes publicados sobre o tema TAPING:

No nosso próximo artigo sobre Taping estaremos escrevendo sobre a sua utilização em cicatrizes.

Até mais!

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