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Função do Ombro

Por Marcus Lima em 28 de julho de 2018

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Função do Ombro

Artigo de Dave Tiberio, sobre a função do ombro e de que forma ele influencia e é influenciado por toda a cadeia cinética.

Tiberio é um dos fundadores do Gray Institute, instituto que leva o nome de seu idealizador, o americano Gary Gray, considerado o homem que cunhou o termo (agora mundialmente difundido) “Treinamento Funcional”.

Em primeiro momento pode não ser tão fácil entender o raciocínio por trás dos conceitos trazidos no artigo, uma leitura mais atenta nos permite começar a compreende-lo e talvez começar a coloca-lo em prática.

Boa leitura.

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Função do Ombro: Ao Redor do relógio

Dave Tiberio

 

Entender o Princípio da Reação em Cadeia (N.T: Ou Cadeia de Reação. Tradução livre do inglês “Chain Reaction®, marca registrada do Gray Institute) da Ciência Funcional Aplicada (N.T: Tradução livre do inglês “Applied Functional Science® – AFS, marca registrada do Gray Institute) em todos os planos de movimento do ombro/braço é fundamental para encontrarmos e eliminarmos as CAUSAS de disfunções no ombro.

A imagem de um relógio pode ajudar os profissionais a encontrarem as CAUSAS. Usando a direção do úmero (no sentido horário ou anti-horário) como guia, os movimentos dos ossos e articulações dentro da Cadeia de Reação irão tornar-se mais aparentes. Uma vez que os “elos” (N.T: Ou links, no original em inglês) irão rodar na mesma direção que o úmero, a contribuição dos ossos (e o movimento articular resultante) ao movimento global pode ser facilmente determinado.


N.T: O autor faz uma analogia com um relógio, argumentando que quando se faz um movimento com o ombro, uma série de articulações deve se mover para que esse ombro se mova da maneira mais eficiente possível, a isso chamam “Chain Reaction”, “Cadeia de Reação” em uma tradução livre.

A figura acima mostra o movimento de flexão do ombro, ocorre no plano sagital, o relógio é uma analogia que ajudará a visualizar a cadeia de reação:

A flexão do ombro no caso é um movimento no sentido anti-horário, no exemplo da imagem o braço vai de 3h para 12h, ao mesmo tempo, a escápula está fazendo um movimento anti-horário (rotação posterior), torácica também (extensão), a lombar (extensão) e até mesmo o quadril está se movimentando no sentido anti-horário (extensão).

Sempre que o ombro se movimentar em sentido horário ou anti-horário o restante da cadeia de reação irá seguir a mesma direção.


N.T: Mais um exemplo do relógio do ombro, agora no plano frontal, um movimento comum no golfe, por exemplo:

Se ele se move em adução, indo de 9h para 6h, novamente em sentido anti-horário, a escápula direita se moverá em rotação inferior, a coluna lombar e torácica se moverão em flexão lateral para direita, o quadril direito em abdução, o quadril esquerdo em adução e a pelve está se deslocando para esquerda. Todos os segmentos, portanto, seguirão o ombro no sentido anti-horário.


N.T: Um último exemplo do relógio do ombro, agora no plano transverso. Quando o jogador leva o braço com a bola para trás (um load) estará realizando um movimento no sentido horário, em direção às 12h. Nesse caso:

  • Ombro direito estará fazendo uma abdução horizontal ou rotação externa.
  • Escápula direita uma retração, ou rotação externa.
  • Pelve uma rotação para direita (com a consequente rotação interna do quadril direito e rotação externa do quadril esquerdo). Todos os segmentos da cadeia de reação do ombro estarão rodando no mesmo sentido horário.

A tabela abaixo cobre o movimento articular da escápula e da coluna torácica, assim como o movimento da articulação do quadril em 6 cadeias de reação do ombro.

(Mesmo Lado ou Lado Oposto toma como referência o braço que está se movendo).

(N.T: Nessa tabela ele leva em consideração os movimentos resultantes de uma ação do ombro. O ombro nesse caso seria o que eles chamam de “driver” o “condutor” do movimento. A partir do movimento do “condutor” uma série de movimentos articulares deveria ocorrer naturalmente, especialmente na área vizinha ao ombro, nesse caso, se extrapola para a tendência de movimento articular no quadril, a partir de determinado movimento do ombro).


N.T: Para ilustrar as informações da tabela acima analisemos o golpe de direita – forehand – do tenista ao lado, Roger Federer, a propósito, que está se preparando para rebater uma bola.

Tomando o ombro direito como referência, vamos conferir as informações da tabela.

Ombro direito: Extensão – Abdução – Rotação externa.

Torácica: Flexão – Flexão lateral (de acordo com nossa tabela deveria ser para o lado oposto – não se consegue ver direito pela imagem, se fosse uma abdução máxima do ombro, como em um saque, seria mais perceptível. Mesmo no vídeo abaixo que mostra a análise do forehand não se consegue perceber claramente) – Rotação (mesmo lado).

Quadril: Flexão – Adução (mesmo lado) – Abdução (lado oposto) – Rotação interna (mesmo lado) – Rotação externa (lado oposto).

Escápula: Não podemos conferir pela imagem, mas ela deveria estar em: retração – rotação anterior – rotação superior).


Armado com o conhecimento do Princípio da Cadeia de Reação, as aplicações práticas se tornam possíveis quando os profissionais que lidam com o movimento também tiram vantagem de outro princípio da Ciência Funcional Aplicada: “Carregar – Explodir”.

(N.T: Adaptação livre do termo em inglês “Load to Explode”. Que significa, em poucas palavras, realizar uma contração excêntrica – o CARREGAR – antes de uma contração concêntrica – o EXPLODIR –. Tirando proveito do chamado “Ciclo Alongamento – Encurtamento”, a contração excêntrica rápida faz com que haja o armazenamento de energia potencial elástica, potencializando e fazendo com que a ação desejada seja mais eficiente. Eles, do Gray Institute, consideram isso um princípio, ou seja, uma verdade fundamental, sempre que queremos fazer um movimento, seja ele global ou isolado, para uma direção, devemos nos mover antes para o lado oposto).

Quando o corpo tenta executar um movimento específico, ele sempre se move na direção oposta primeiro. O movimento “oposto” ativa (N.T: Ou carrega de maneira excêntrica) os músculos que irão executar a “explosão” (A contração concêntrica).

A busca por prováveis CAUSAS de disfunções e dor no ombro torna-se lógica quando o conceito de “Carregar – Explodir” é empregado nos movimentos.

Portanto, a melhora nos movimentos do ombro precisa incluir: AVALIAR e TREINAR o movimento preparatório (N.T: O que o autor chama de “loading” ou “carregar” em português).

Para melhorar a abdução do ombro, os movimentos da Cadeia de Reação da Adução precisam ser examinados. Direcionar o braço para a adução permite que seja determinado quão bem se movimentam:

  • A escápula: Rotação inferior
  • Coluna torácica: flexão lateral em direção ao mesmo lado (do braço direcionado para adução).
  • Quadris: Quadril oposto – adução; Mesmo lado – abdução.

Assim pode-se determinar o quanto estes elos da cadeia estão contribuindo para a “carga” (excêntrica) da abdução.

Todos estes movimentos são críticos para uma “carga” efetiva da Cadeia de Reação. Treinar este movimento preparatório (carga-load) irá não somente melhorar o “explodir”, mas frequentemente identificar as CAUSAS da disfunção.

Os princípios da Ciência Funcional Aplicada levam a estratégias que empregam estes princípios. Um exemplo prático disto ocorre na reabilitação de pessoas que passaram por cirurgia no manguito rotador. O cirurgião irá proibir movimentos articulares ativos do ombro por um período que varia de 2 – 6 semanas, dependendo da ruptura e subsequente reparo do tecido.

Anatomia do grupo de músculos conhecidos como “manguito rotador”. Os estabilizadores dinâmicos do ombro.

Como a morbidade da inatividade pode ser superada? Como se pode estabelecer a fundação para todos os movimentos do ombro durante este período de inatividade?

A estratégia é direcionar o movimento com os pés, o braço oposto e a cabeça (N.T: Ele chama isso de “drivers” do movimento. Uma tradução livre seria “condutores” do movimento) para criar movimentos de carga excêntrica que serão transformados em movimentos concêntricos (N.T: Ou na linguagem usada pelo Gray Institute, do qual o autor faz parte: “Load to Explode” “Carga-Explodir”).

Estes são os mesmos “condutores” usados na avaliação de movimento que usamos: 3D Movement Analysis and Performance System – 3DMAPS (N.T: Uma tradução livre do termo seria: Sistema de Análise e Desempenho do Movimento Tridimensional).

 

Usando o movimento da flexão do ombro como nosso exemplo:

 (N.T: Em um caso pós-cirúrgico do manguito rotador do ombro direito).

Para treinar a fundação do movimento de flexão do ombro, o foco inicialmente será na “Carga”/“Load” da flexão (Ver extensão do ombro na tabela acima).

Se o braço direito está em uma tipoia, faremos com que o pé direito esteja em uma posição de lunge anterior (N.T: Referindo-se ao exercício chamado aqui no Brasil de “avanço” ou “afundo” ou “passada”. Como na imagem acima. O nome em inglês também é bastante utilizado no Brasil).

Este pé direito à frente faz com que o quadril esteja em flexão. Também fazendo com que o tronco flexione ligeiramente. Para aumentar a flexão do tronco e indiretamente encorajar a escápula a rodar anteriormente, os outros 2 drivers (N.T: Condutores) podem ser empregados.

Posicionar o braço não afetado (esquerdo) em extensão e flexionar a cabeça irá criar um efeito de cima para baixo que adiciona load (N.T: Carga) para o movimento de lunge anterior.

Uma vez que os movimentos de “carga” de todas as articulações são avaliados e funcionam efetivamente, uma ênfase em rapidamente retornar às posições iniciais pode ser adicionada.

Isso facilita a transformação da carga em um “explodir” eficiente para o movimento de flexão do ombro. Essa abordagem baseada em princípios pode ser utilizada para construir a fundação para todos os movimentos do ombro.

Com a Ciência Funcional Aplicada e a Análise de Movimentos 3DMAPS, múltiplas estratégias podem ser empregadas e cada estratégia pode ser adaptada para cada indivíduo.

 


Artigo original: Shoulder Function – Around the Clock.

Versão em vídeo do artigo: Video Shoulder Function – Around the Clock.

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